Estou de acordo com os que defendem a regionalização, pois, "neste andar da carruagem", o Norte caminha, cada vez mais, para uma situação perdida... gravíssima! A maior fatia do bolo orçamental cai sempre sobre a Capital e os maiores investimentos que se anunciam (e que todos conhecemos) visam enriquecê-la ainda mais, menosprezando-se zonas do país "à beira do abismo". Num país tão pequeno, existe uma desigualdade incrível, com a região da Grande Lisboa a ser considerada, em termos europeus, das que melhor poder de compra tem, enquanto o resto do país se depara com o inverso. O Vale do Ave, o Interior Norte, a região de Aveiro, entre outras zonas, ressentem-se deste "fenómeno", pior do que aqueles que acontecessem no Entroncamento. Enfim, o velho ditado que diz (ou dizia): "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem" coaduna-se, na perfeição, com aquilo que se verifica na actualidade. Algumas vozes nortenhas ainda "batem o pé", mas isso só não chega. Teria de ser uma força bem mais unida e numerosa a reivindicar uma maior igualdade de direitos e ajudas, para que a região voltasse a ser o que era. O Porto hoje já não é sede de nenhuma das principais empresas nacionais. Tudo rumou "lá para baixo". Não se acusa, aqui, directamente, os lisboetas, mas, isso sim, um poder altamente central, que, ao longo destes anos, em nada nos beneficiou. O Vale do Ave, onde nos inserimos, está carente. Precisa de apoios, investimentos, obras de envergadura, ajudas sociais... Há muito que o seu destino ficou traçado. Há muito que se encontra na lama, quando, num passado não muito longínquo, era das regiões mais produtivas de Portugal. Mas, leitores, as atenções continuam a ser Lisboa e o seu novo Aeroporto, o TGV e a ligação Lisboa — Madrid, etc. Tudo bem que se aposte nestas infraestruturas, mas, antes, era prioritário olhar-se para o estado do país, de uma ponta à outra, tentando arranjar-se solução para os seus problemas. Depois, sim, avançar-se-ia para esses arrojados investimentos, que nós, portugueses comuns, não sabemos se vão melhorar o país o endividá-lo ainda mais. Daniel Carvalho
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